O seu prepúcio (pele que encobre a glande ou "cabeça" do pênis) pode ser retraído? Você consegue movê-lo facilmente para trás da glande, e trazê-lo de volta para a frente sem sentir dor ou desconforto, mais ou menos como neste exemplo real para maiores de idade?


Se você não consegue expor a cabeça como no exemplo acima, você tem fimose ("mordaça" em grego). Continue lendo para entender melhor o que isso significa, e descobrir qual é o tipo da sua fimose.

Menino x Adulto

Bebês nascem com prepúcios apertados e sem mobilidade: isso os protege de contaminações. Deixados por conta própria, a maioria dos meninos fará sua primeira retração total do prepúcio um pouco antes da puberdade. Ao completar a maioridade, quase todos os homens já deveriam ter a capacidade de retraí-lo totalmente, mesmo que de maneira não inteiramente confortável.

É possível ter fimose só com o "pau duro"?

Sim. É muito comum, principalmente durante a adolescência, que o prepúcio já possa ser retraído sem problemas com o pênis flácido mas ainda apresente algum grau de fimose durante as ereções.

Condições mecânicas

Mas o que exatamente pode impedir a retração do prepúcio? São duas as principais condições mecânicas responsáveis pela fimose após a puberdade, tanto flácido quanto ereto:

1. Prepúcio estreito

Quando a abertura do prepúcio (anel prepucial) é muito estreita para passar pela cabeça do pênis. Nesse caso, a parte mais estreita do prepúcio é chamada de anel fimótico. À condição mecânica "prepúcio estreito" é dado o nome técnico de estenose ("estreitamento" em grego) prepucial.

Fotos (18+)

Exemplo 1
Anel fimótico

Exemplo 2
Anel fimótico de alto grau de severidade

2. Freio curto

Quando o freio (estrutura semelhante ao freio da língua, mas que conecta o prepúcio à parte ventral da glande) é curto demais para permitir uma completa retração. Essa condição é também chamada de freio breve.

Fotos (18+)

Exemplo 1
Freio curto

Exemplo 2
Freio curto

Essas 2 condições mecânicas podem ocorrer de forma isolada ou em conjunto. Não é incomum que a fimose seja consequência tanto de uma abertura muito estreita do prepúcio (anel fimótico) quanto de um freio curto, ao mesmo tempo.

De maneira geral, entretanto, um anel prepucial estreito é disparado a causa mais frequente de fimose. Isso porque esse anel (ou faixa circular) próximo à abertura prepucial é naturalmente menos maleável do que o restante da pele, justamente para garantir que a glande permaneça protegida e lubrificada pelo prepúcio enquanto o corpo se movimenta durante as mais variadas atividades diárias.

Tipos de fimose

Dependendo da origem das condições mecânicas causadoras da fimose, esta pode ser classificada em dois tipos: fisiológica (também chamada de congênita) ou patológica (também chamada de adquirida).

1. Fimose fisiológica (congênita)

Quando as condições mecânicas responsáveis pela fimose são congênitas, ou seja, presentes desde o nascimento, ela é chamada fisiológica.

2. Fimose patológica (adquirida)

Doenças de pele como infecções por bactérias/fungos ou lesões geram a formação de pequenas cicatrizes ou fibromas no prepúcio. Essas cicatrizes podem se degenerar até a formação de um anel fimótico, dito adquirido, devido ao estreitamento/enrijecimento patológico da pele.

Em alguns casos pode ocorrer um estrangulamento (parafimose) da glande ou do corpo do pênis tão intenso a ponto de ser necessário pronto atendimento médico.

Fotos (18+)

Exemplo 1
Fimose adquirida

Exemplo 2
Fimose adquirida

Exemplo 3
Parafimose adquirida

Preocupou?

Calma. Algumas boas notícias:

  • a fimose fisiológica (congênita) em adolescentes e adultos pode ser resolvida com exercícios específicos ou aparelhos para alargamento do prepúcio;
  • grande parte das patologias responde bem a tratamento farmacológico; e, uma vez curada a causa, normalmente também é possível reverter a fimose patológica com aparelhos para alargamento do anel fimótico adquirido;
  • se a sua doença de pele for recorrente (daquelas que sempre voltam após o tratamento farmacológico) ou intratável, uma cirurgia acabará de vez com o problema da fimose.

Mas, qualquer que seja o tipo da sua fimose, qual é o seu grau? Descubra aqui.

Referências

- Thorvaldsen MA, Meyhoff H (2005). Phimosis: pathological or physiological? Ugeskr Læger, 167(17):1858-62.
- Edwards S, Bunker C, Ziller F, Meijden W (2014). 2013 European guideline for the management of balanoposthitis. International J of STD & AIDS, 25(9):615-626.
- Neill SM, Tatnall FM, Cox NH (2002). Guidelines for the management of lichen sclerosus. British J. of Dermatology, 147:640-9.