Todo pênis vem ao mundo equipado com um freio, também chamado de frênulo ou cabresto.

Neste artigo vamos explicar bem o que é o freio peniano, para que serve, e quando ele pode ser um problema (e o que fazer nesse caso).

  1. O que é e para que serve o freio: prega de tecido densamente inervado que une o prepúcio à glande, desempenhando 2 importantes funções.
  2. Freio curto: também chamada de freio breve, essa condição está associada a um excessivo tensionamento da glande por parte do freio.
  3. Conseqüências e complicações: lacerações, ejaculação precoce.
  4. Soluções: alongamento manual (casos muito leves), cirurgia.

1. O que é o freio do pênis, e para que serve?

O freio, frênulo ou cabresto do pênis é uma prega de pele (pense no freio da língua) que une a parte ventral da glande (ou seja, a parte "de baixo" da cabeça do pênis) ao prepúcio.

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Freio peniano

Ele pode variar muito de pessoa para pessoa, tanto quanto à rigidez e espessura do tecido quanto à sua inserção, isto é, fixação, na glande.


O freio exerce basicamente 2 importantes funções, uma mecânica e outra sensorial:

Função mecânica

O freio age como uma espécie de "mola" que faz com que, uma vez retraído, o prepúcio tenda a voltar a sua posição original.

Isso é importante para manter a glande protegida, lubrificada e livre de abrasões.

Função sensorial

O freio (e regiões adjacentes, o chamado delta frenular) é intensamente inervado e, consequentemente, erógeno.

O contato do freio com a vagina faz você sentir mais ainda mais prazer durante as relações sexuais.

2. Freio curto

Quando há tensão/tração excessiva do freio na glande do pênis, estamos na presença do famigerado freio curto, também conhecido por freio breve.

No caso do pênis flácido, o problema se verifica durante a retração manual do prepúcio. Com o pênis ereto, a própria ereção se encarrega da retração do prepúcio e consequente tensionamento do freio.

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Freio curto em pênis flácido

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Freio curto em pênis ereto

Como saber se meu freio é curto?

Se, ao retrair o prepúcio, a sua glande tende a se "entortar" momentaneamente para baixo, então o seu freio provavelmente é curto.

A única maneira de saber com certeza se o seu freio é curto é através de uma consulta médica com profissional qualificado.

Se você ainda não consegue sequer expor a glande com o pênis flácido, então você só poderá "descobrir" (literalmente!) se o seu freio é curto ou não após ter se livrado da fimose.

Freio curto causa curvatura peniana?

Deve-se esclarecer que um freio curto NÃO causa curvatura peniana.

O freio curto pode tracionar a glande para baixo, "entortando" momentaneamente a extremidade do pênis, mas mantendo o eixo relativamente reto:

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Pênis com freio curto, mas SEM curvatura considerável

Já nos casos de real curvatura ventral (ou seja, para baixo) do eixo do pênis, quase sempre estamos na presença de uma curvatura peniana congênita que nada tem a ver com freio curto. Essa condição se deve a um desenvolvimento anormal dos revestimentos do pênis, com um comprimento da parte dorsal (ou seja, de cima) do pênis maior que o comprimento da perta ventral:

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Pênis com curvatura (NÃO devida a freio curto)

Nesses casos, portanto, uma cirurgia de freio não irá resolver a curvatura do corpo do pênis (que é corrigida com outro tipo de cirurgia).

3. Consequências e complicações

Quanto mais curto for o freio, maior a probabilidade da ocorrência de problemas, principalmente durante as relações sexuais.

3.1 Rompimento do freio

O rompimento do freio pode ser completo ("liberação" espontânea) ou parcial.

Se o rompimento for total, pode-se dizer que o problema foi resolvido "na marra" (de forma dolorosa e esteticamente pouco satisfatória).

Lacerações parciais tendem a causar dor em relacionamentos subsequentes, com o risco de ocorrência de novas lacerações ou micro-lacerações. Nesse caso, as opções disponíveis são:

Continuar a ter relações, com a possibilidade de um rompimento completo subsequente que resolva o problema espontameamente (opção possível, mas, como já acenado, insatisfatória esteticamente e dolorosa).

Abstinência por um período de cerca de 20 dias e avaliação de como as coisas estão indo (baixa probabilidade de resolver o problema).

Liberação cirúrgia do freio (sem dúvida esta é a linha de ação recomendada, pois resolve a questão definitivamente de forma indolor e esteticamente satisfatória).

3.2 Ejaculação precoce

A brevidade do freio está frequentemente relacionada a problemas de ejaculação precoce: um freio curto que entra em tração durante a relação sexual pode levar à hiperestimulação dos receptores que transmitem a sensação de prazer, resultando em menor latência ejaculatória.

Mas atenção: o freio curto nem sempre é a causa da ejaculação precoce, assim como o alongamento cirúrgico do freio (frenuloplastia) nem sempre resolve o problema.

Por exemplo, os casos de ejaculação precoce que ocorrem antes da penetração ou, de qualquer maneira, devidos primariamente à excitação mental, não podem ser atribuídos a nenhum aspecto da fisiologia peniana.

5. Soluções

Em alguns casos leves, ou seja, quando o freio não é muito curto ou rígido, a brevidade frenular pode ser resolvida (ou pelo menos atenuada) através de "exercícios" de alongamento progressivo. O método recomendado é o seguinte:

exercicios freio curto
Segure a borda inferior do prepúcio e estique-a para frente, no limite do desconforto, mas SEM dor. Mantenha essa tensão enquanto puder, descanse, e repita. Faça isso por no mínimo 10 minutos pela manhã e também à noite.


Normalmente, entretanto, somente uma intervenção cirúrgica é capaz de resolver o problema do freio curto. Existem basicamente 2 tipos de cirurgia de freio: a frenuloplastia e a frenulectomia. A frenuloplastia consiste na "liberação" cirúrgica do freio, enquanto na frenulectomia o freio é literalmente amputado pelo cirurgião.

Ambas as modalidades cirúrgicas são relativamente simples (podendo ser executadas em ambulatório e com anestesia local), rápidas e resolvem definitivamente o problema do freio curto.

A frenulectomia, entretanto, apresenta a desvantagem da perda completa do freio, que, como vimos acima, é um tecido funcional e erógeno. Por essa razão, a linha de ação recomendada para a maioria dos casos de freio curto é a cirurgia de frenuloplastia.



Perguntas frequentes

O rompimento do freio nas primeiras relações sexuais ou com masturbação vigorosa não é absolutamente a regra; entretanto, como já mencionado, as características do freio podem variar muito entre as pessoas. As características que tornam um freio “em risco” de laceração são principalmente a estrutura fina do tecido e uma carência de comprimento (freio curto) que determina a sensação de tração na glande durante a ereção.

O rompimento do freio pode causar diversos graus de dor e sangramento (uma pequena artéria passa ao longo do freio!). Nesses casos, não se desespere: procure secar a ferida, comprimindo a glande entre o polegar e o dedo indicador no nível da laceração. Muitas vezes, essa simples manobra já é suficiente para estancar o sangramento (o tempo varia de caso a caso). Se o sangramento continuar, ou se a laceração for particularmente extensa, é necessário ir a um pronto-socorro: após anestesia local, a laceração será devidamente tratada e a ferida suturada com alguns pontos. Nada de trágico!

Se o rompimento não causar sangramento grave, não é necessário ir ao hospital. Nesses casos, basta desinfetar a área com algum bom desinfetante (água oxigenada, merthiolate, etc) por uma semana e esperar pacientemente pela cura espontânea, que geralmente ocorre em cerca de dez dias. Evite relação sexual antes de pelo menos 20 dias após o rompimento, e use cautela (e um preservativo bem lubrificado) nas primeiras transas.