A principal linha de ação adotada para a resolução da fimose tem sido a cirurgia de postectomia (circuncisão terapêutica). Esse intervento consiste na amputação cirúrgia do prepúcio, que é a pele que recobre a "cabeça" do pênis.

Mas a remoção do prepúcio pode ter alguns impactos na qualidade de vida do paciente, e existem opiniões divergentes sobre sua execução indiscriminada...

Circuncisão (Postectomia)

A circuncisão é classificada pela medicina cirúrgica como uma operação de rotina, geralmente realizada em nível ambulatorial, seguida de um período pós-operatório de aproximadamente um mês. Após uma consulta inicial e alguns exames, o intervento é realizado sem a necessidade de internação, normalmente com anestesia local.

O prepúcio é removido através de cortes realizados com um bisturi (ou laser) e obviamente a fimose é resolvida.

Parte dos homens circuncidados se dizem satisfeitos com o resultado da cirurgia, outros não.

É interessante observar que, apesar de hoje a circuncisão ser também um intervento médico (em alguns casos realmente necessário), sua origem histórica é muito mais ligada à cultura/religião do que à medicina.

Prepúcio: mais que um pedaço de pele

O prepúcio é a única parte móvel da anatomia sexual humana. Ele é composto por células e tecidos muito específicos, cujo propósito coletivo é proteger, defender e sentir:

Sensibilidade erógena

Por ser móvel, além da pele externa o prepúcio também composto por uma "pele interna", que pode ser visualizada somente quando o prepúcio é retraído.

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Anatomia do prepúcio

A pele interna é composta por inúmeros terminais erógenos ao longo de toda a sua superfície, e colegada ao freio (tecido extremamente invervado que une o prepúcio à base da glande).

Além de erógena, a pele interna também desempenha uma função autolubrificante e seu deslizamento torna a penetração mais suave e menos abrasiva.

A remoção de terminações nervosas devida à circuncisão, associada à dessensibilização e ressecamento da glande queratinizada pode ter um impacto significativo na vida sexual do paciente. ​​

Proteção

Desde o nascimento, o prepúcio desempenha para o pênis uma função semelhante àquela das pálpebras para os olhos. Graças ao sebo que produz (esmegma), o prepúcio mantém a superfície da glande macia, úmida e sensível, além de manter valores otimais de temperatura e pH.

Quando o prepúcio é retirado através de circuncisão, a glande sofre um processo chamado queratinização, e se torna ressecada e dessensibilizada para compensar a falta de proteção natural.

Defesa imunológica

A mucosa externa do prepúcio, como qualquer mucosa que cubra os orifícios do corpo, é a primeira arma de defesa imunológica. Ela possui células de Langerhans (um componente do sistema imunológico), células plasmáticas e imunoglobulinas capazes de secretar anticorpos para se defender contra infecções.

Interiormente, o prepúcio abriga uma flora de microorganismos benignos úteis para a prevenção imunológica, e determinadas glândulas destinam-se a produzir proteínas antibacterianas e antivirais (como a lisozima, também presente no leite materno e nas lágrimas).

Circuncisão e fimose

Até recentemente, na presença de uma fimose de médio ou alto grau de severidade, a única solução sempre foi a amputação cirúrgica do prepúcio, total ou parcial (dependendo da posição do anel fimótico, pode ser executada uma circuncisão parcial, em que apenas a parte do prepúcio responsável pela fimose é removida).

A maioria dos médicos costuma optar pela circuncisão total.

A recuperação da cirurgia (no que se refere a cicatrização, absorção dos pontos, possível inchaço e inflamação) varia de paciente para paciente, o importante é sempre seguir as instruções de higiene e as indicações de medicamentos pós-operatórios fornecidas pela equipe médica.

Infelizmente não existem estudos confiáveis e dados estatísticos sobre os efeitos da circuncisão no Brasil.

Complicações pós-cirúrgicas geralmente não são relatadas oficialmente, e erros médicos raramente são denunciados devido à reticência natural do homem em se expor quando o assunto diz respeito a uma deficiência de seu próprio pênis.

Segundo pesquisas realizadas em outros países, em sintonia com relatos que não raramente recebemos em nosso próprio fórum, as principais complicações são:

  • problemas estéticos relacionados a cicatrizes e inchaços;
  • estreitamento, lacerações ou inflamações do meato (orifício urinário);
  • retenção urinária;
  • aderências entre a parte do prepúcio não removida e a coroa da glande, no caso de circuncisão parcial;
  • fimose rescindiva, no caso de circuncisão parcial;
  • dificuldade de masturbação, principalmente no caso de circuncisão total.

Obviamente, essas complicações nem sempre estão presentes e muitos homens circuncidados vivem suas vidas sem problemas.

É muito comum, entre os circuncidados, o relato de satisfação com uma maior facilidade de higienização do pênis e de uso da camisinha.

E vários jovens admitem que, anteriormente à cirurgia, sofriam de ejaculação precoce, e que após a queratinização da glande conseguem aguentar mais tempo antes da ejaculação (entretanto, com o avançar da idade, a tendência é que haja uma maior predisposição à ejaculação retardada ou maior dificuldade em se chegar ao clímax).

Mesmo entre aqueles pacientes que não sofreram nenhuma complicação física, a amputação do prepúcio pode constituir um certo trauma psicológico.

De fato, em alguns poucos caso o paciente prefere até continuar com fimose para o resto da vida do que enfrentar o intervento, com medo da cirurgia ou de não conseguir aceitar sua nova condição.

Uma nova estrada

Já existem alternativas válidas para aqueles que querem evitar a circuncisão e o período de recuperação pós-cirúrgica. São métodos naturais que se utilizam do princípio da expansão de tecido para permitir a cura da fimose sem cirurgia. Agindo assim, também são evitados altos custos (em caso de clínica particular) e filas de espera (em caso de serviço público, onde muitas vezes a qualidade do intervento também deixa a desejar).

O receio de "levar pra faca" uma parte tão íntima e importante do corpo pode fazer com que o homem fique adiando a solução do problema, colocando em risco não somente sua saúde como também sua vida sexual e afetiva. Por outro lado, o uso de um bom aparelho para o tratamento da fimose permite que a situação seja afrontada em relativamente pouco tempo, e que sejam aproveitados os benefícios de uma vida sem fimose, mas com prepúcio.

Conclusão

Para alguns homens a cirurgia pode ser a melhor opção, para outros não. O importante é que a decisão seja tomada com consciência.

Referências

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- https://www.fimose.org/por-que.html
- https://www.phimostop.com/en/modes-and-times-of-healing/